Como formar mentes brilhantes

Como formar mentes brilhantes


Como um carro em uma estrada, nossa mente está em constante movimento pelas rodovias do nosso cérebro. E, como é para todo carro, é preciso que o seu condutor seja responsável, equilibrado e cuidadoso para evitar acidentes de percurso que podem atrapalhar ou impossibilitar o restante da viagem. Ser gestor da mente humana é saber gerenciar os pensamentos e a emoção, libertar a criatividade e se tornar protagonista da própria história.

A educação clássica crê que a melhor maneira para formar mentes brilhantes é bombardear o cérebro com milhões de informações, esperando que os alunos os assimilem. As informações, de fato, são primordiais para qualquer ser humano, mas apenas quando se transformam em conhecimento, que por sua vez, transformam-se em experiencia e, estas em sabedoria. E para que isso aconteça é fundamental formarmos alunos emocionalmente saudáveis.

O excesso de informações não utilizadas torna-se lixo intelectual. Esgota o cérebro. Se Einstein estivesse vivo, quem você acredita que teria mais informações em sua mente? Ele ou os bons engenheiros e físicos da atualidade?

Acertou quem respondeu os engenheiros da atualidade. Einstein, aos 27 anos, no simples escritório de patentes em que trabalhava e mesmo estando em um cargo medíocre, tinha a vantagem de ter bastante tempo livre para as próprias divagações e cálculos científicos. É o máximo da ironia pensar que as anotações que iriam revolucionar o mundo precisavam ser ocultadas para que os colegas e os superiores não descobrissem que ele estava se dedicando a outras atividades no local de trabalho. O que forma um pensador não é a quantidade de dados, mas sua organização.

Sinais de desequilíbrio emocional

Hoje vemos a grande maioria de nós, conectados o dia todo na internet e nas redes sociais, mas desconectados de nós mesmos. E, de repente, diante da menor contrariedade, temos reações explosivas. Apresentamos sintomas como insônia, sofrimento por antecipação, ansiedade, irritabilidade, flutuação emocional, déficit de concentração, esquecimento e fadiga excessiva; e constantemente sentimos dores físicas.

É claro que a era digital trouxe ganhos inegáveis como o desenvolvimento cognitivo e uma melhora do raciocínio lógico e da produtividade. Porém, ela também trouxe prejuízos gigantescos. Não podemos fechar os olhos para isso. Milhões de jovens são vítimas de intoxicação digital. Certamente, se tirarmos os celulares de alguns deles, muitos terão sintomas de abstinência semelhantes aos gerados pela dependência de drogas.

A ansiedade vem acompanhada pela insatisfação crônica, impaciência, baixa tolerância, frustrações e um tédio atroz quando sentimos que não temos nada para fazer. Estamos na era da democracia; no entanto, somos escravos no único lugar em que é inadmissível ser um prisioneiro: na nossa própria mente.

A era dos mendigos emocionais

Sempre estamos de prontidão para discutir a violência dos outros, mas, muitas vezes, não sabemos que somos violentos conosco e com as pessoas ao nosso redor.

A principal característica dos mendigos emocionais é fazer pouco do muito. Por exemplo: os pais têm pavor que os filhos se tornem dependente de drogas, mas, sem perceber, viciam o cérebro deles com excesso de estímulos ou excesso de presentes, podendo levá-los a precisarem cada vez mais de coisas superficiais para sentirem migalhas de prazer.

Muito maior que qualquer coisa que nosso dinheiro possa comprar é a qualidade do tempo que investimos junto de quem amamos. O tempo é o grande tesouro que entregamos aos nossos filhos. Mas qual é a qualidade do tempo que estamos dedicando aos nossos sucessores?

Vemos mulheres e homens que trabalham fora, provedores da casa, internautas modernos, inteligentes, independentes; no entanto, perderam o lado maternal e paternal. Vemos mães e pais que ao mesmo tempo em que estão amamentando seus filhos com uma mão, com a outra estão escrevendo em seus computadores ou digitando em seus celulares. A criança é alimentada fisicamente, mas não é mais alimentada com a merecida atenção.

Invista tempo de qualidade às pessoas que são prioridades em sua vida

Devemos procurar nos presentear e dar presentes para nossos sucessores com aquilo que é essencial, e não com o trivial.

Presenteie seu filho com sua atenção, seu amor, com sua história. Tenha ousadia de contar sobre suas dificuldades do passado. Fale das suas aventuras, dos seus sonhos e dos momentos mais alegres de sua existência. Humanize-se. Transforme a relação com seus filhos em uma grande aventura.

Nutra a personalidade

Ter cultura, boa condição financeira, excelente relação conjugai e propiciar uma boa escola para nossos filhos não basta para produzir saúde psíquica. Qualquer animal só consegue escapar das garras de um predador se tiver grandes habilidades. Prepare seus filhos para sobreviverem nas águas turbulentas da emoção e desenvolverem capacidade crítica. Só assim poderão filtrar os estímulos estressantes. Serão livres para escolher e decidir.

Ajude seus filhos a não serem escravos dos seus problemas. Alimente o anfiteatro dos pensamentos e o território da emoção com coragem e ousadia.

Nutra seus filhos com um otimismo sólido! Não devemos formar super-homens, como preconizava Nietzsche. Pais brilhantes não formam heróis, mas seres humanos que conhecem seus limites e sua força.

Augusto Cury