Faça o bem sem olhar a quem

Faça o bem sem olhar a quem

Ser feliz é o sonho comum de todo ser humano, mas poucos sabem como conquista-lo. O que poucos sabem também é que existem técnicas de Gestão da Emoção que podem treinar o cérebro para sentir felicidade com mais frequência.

Para construir a felicidade inteligente e uma saúde emocional equilibrada existe uma técnica fundamental: ser altruísta. Isso significa se doar de forma inteligente, colocar-se no lugar dos outros, abraçar mais e julgar menos, compreender mais e criticar menos, se entregar mais e se enclausurar menos.

Os altruístas entram em camadas mais profundas de seu ser à medida que aliviam a dor humana; navegam em águas desconhecidas enquanto entancam lágrimas; vendem esperanças e promovem os outros.

Assistir a um bom filme, observar um belo quadro e ler um livro inteligente animam o psiquismo humano, mas fazer outra pessoa feliz vai além, gera uma explosão motivacional. A emoção é o fenômeno mais democrático da existência humana: quanto mais irrigamos a emoção dos outros, mais expandimos nossa capacidade de nos encantar com a vida; quanto mais agimos como embaixadores da paz, mais a conquistamos para nós mesmos.

Por outro lado, quanto mais promovemos intrigas, discussões e conflitos, mais nutrimos nossas armadilhas mentais, mais fomentamos nossa ansiedade e nosso mau humor.

A felicidade, ao contrário do que muitos pensam, é mais do que um estado de alegria, prazer e satisfação. Ela precisa ser inteligente para ser sustentável. A emoção feliz não tem durabilidade nem profundidade se estiver encapsulada pelo individualismo, egoísmo e egocentrismo.

Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas reconhecer a própria falibilidade, sentir o cheiro da terra molhada, admirar a explosão de cores das flores, aplaudir os que tentaram e não conquistaram o pódio, dar o melhor de si a quem não merece, começar tudo de novo tantas vezes quantas necessárias.

Quem não aprende a se desarmar emocionalmente e se doar socialmente tem chance de se transformar em seu pior inimigo. Existem pessoas ricas, excelentes profissionais, que teriam tudo para ser felizes, mas não o são. Não sorriem, não relaxam, vivem encarceradas em suas próprias mentes. Essas pessoas podem estar rodeadas de gente, mas vivem solitárias. Ricas financeiramente, falidas emocionalmente – um paradoxo cada vez mais comum.

Felizmente, é possível sair da plateia e subir ao palco de sua mente a fim de dirigir seu próprio script. É possível mapear suas armadilhas mentais, como egocentrismo, humor depressivo, pessimismo e medo de falar de si, e, como artesão da emoção, tecer a regra das regras de ouro da qualidade de vida – ajudar o próximo.

É preciso romper o casulo do individualismo e aprender a se doar, a ter prazer em fazer os outros sorrir. É preciso compreender que a felicidade, tão famosa e tão pouco vivenciada, não se sustenta apenas com a emoção: ela precisa ser irrigada com ferramentas inteligentes.

Quando preenchemos nossas vidas com a preocupação genuína com os outros, aprendemos pouco a pouco a contemplar o belo e se encantar com a vida. Descobrimos um dos raros prazeres humanos, mais agradável do que os melhores vinhos, mais fascinante do que a mais excitante viagem: ser altruísta.