A sua história e a história dos outros

A sua história e a história dos outros

Olá, queridos amigos.

Você já parou para pensar em quantas histórias de vida você conhece? Quantas pessoas passam por situações às vezes tão estranhas, tão impossíveis, que parecem até tiradas de livros ou filmes ficcionais, e quantas outras nos parecem tão verossímeis que poderíamos dizer que são praticamente as mesmas histórias das nossas vidas, mas com detalhes diferentes?

Pois bem, se imaginarmos a quantidade de pessoas que estão hoje nesse planeta e a quantidade de pessoas que já passou por aqui, e nos lembrarmos que cada uma delas teve uma história diferente da outra (seja por meros detalhes, seja por terem nascido em lugares diferentes, de famílias diferentes, em épocas diferentes), seremos capazes de imaginar quantas possibilidades de vida podem existir na história do universo. Mas, ainda assim, estamos falando somente deste pequeno planetinha, um dois oito que giram ao redor de uma estrela de pequena grandeza, que faz parte de uma vizinhança de 100 bilhões de outras estrelas (a grande maioria delas com outros planetas girando ao redor), que compõem uma galáxia, dentre outros 200 bilhões de galáxias, numa conta aproximada, dentro do que se conhece até hoje como o “universo observável”.

Será que a história de cada um é mesmo única? É possível que alguma dessas histórias tenha sido replicada em algum canto do universo? Sim e não. Se pensarmos que, dentro dessas possibilidades quase infinitas de possíveis vidas na terra (e no universo todo, por que não?), em algum momento uma história teria que se repetir, então teremos uma cópia exata, em algum lugar por aí. Mas, se pensarmos que, mesmo que a história se repita, ela não vai se repetir com todos os detalhes (claro, se ela se repetiu em outro lugar, já é outra história, certo?), então temos histórias diferentes.

Dentro do que conhecemos hoje, nesse número incrivelmente enorme, quase infinito, de possibilidades, ainda não podemos dizer que a história de cada um pode ser a repetição da história de outro. Cada ser, nascido em qualquer esquina de qualquer lugar do universo, tem a sua história única, extraordinariamente individual. E cada uma dessas histórias é também extraordinariamente incrível.

Quando dirigimos a caminho do trabalho, quando atravessamos a rua para entrar na padaria, quando passeamos pelo shopping center, quando buscamos os filhos na escola, em todos os momentos nos deparamos com diferentes histórias. Elas batem à nossa porta, elas nos pedem por atenção; nos semáforos, elas nos pedem um trocado; elas estão do nosso lado, e não as conhecemos. Elas são histórias que não podemos nem imaginar, que carregam experiências que às vezes não conseguimos sequer compreender.

Aqui, proponho fazermos um exercício que durará somente 3 dias: olhe para aquele colega que você não entende bem; para aquela pessoa que teve uma atitude com a qual você não concordou; que faz escolhas de vida que pra você não fazem sentido; que parece gostar de estar triste, de se fazer mal, ou mesmo de fazer mal aos outros. Olhe para essa pessoa e imagine as possíveis razões, dentro de uma história de vida (e não de um momento de raiva ou descontrole), que a levaram a tomar aquelas atitudes.

Lembre-se de que toda ação gera uma reação, e que, de alguma forma, aquilo que você vê como negativo na atitude de alguém pode ser uma reação que foi gerada por uma ação anterior. Qual teria sido essa ação anterior, e de onde (ou de quem) ela pode ter vindo? Coloque-se no lugar do outro, por mais de um instante. Olhe para essa pessoa em situações diferentes, em possíveis vivências pessoais e interpessoais, profissionais ou não, mas que sejam diferentes daquelas presenciadas por você. Essa cadeia de pensamento pode levar a lugares nunca antes imaginados, a experiências nunca antes vividas.

Após esse exercício, volte-se à sua própria história. Qual tem sido o seu percurso? Quais são as diferenças reais e palpáveis entre a sua história e a daquela outra pessoa? Em quê vocês se parecem? Por quais experiências parecidas vocês talvez já passaram, na infância? E na adolescência, será que vocês compartilham vivências? Por que será que vocês têm (ou tiveram) seus caminhos cruzados?

Esse encontro teria sido isso somente uma coincidência, dentre as bilhões de coincidências possíveis dentro desse universo conhecido? Você aprendeu algo com isso, ou a sua história continua sendo mais importante?

Um abraço, e até a semana que vem.