Trabalhando a Ansiedade Devastadora

Trabalhando a Ansiedade Devastadora


Sentir um aperto na garganta é uma experiência pela qual o ser humano, em algum momento da vida, acaba por passar. A sensação de opressão física, a dificuldade de engolir, o aperto, a voz estrangulada, no entanto, são quase sempre o resultado de um processo que não envolve músculos ou quaisquer obstruções palpáveis. Nosso pensamento livre é que nos faz enveredar pelos caminhos estreitos, muitas vezes impenetráveis do tormento que é ter o poder de escolher.

Vivemos em uma sociedade urgente, rápida e ansiosa. Nunca as pessoas tiveram uma mente tão agitada e estressada.

De Paciência e tolerância à contrariedades, estão se tornando artigos de luxo. Quando o computador demora para iniciar, não poucos se irritam. Quando as pessoas não se dedicam à atividades interessantes, elas facilmente se angustiam. Raros são os que contemplam as flores nas praças ou se sentam para dialogar nas suas varandas ou sacadas. Estamos na era da indústria do entretenimento e, paradoxalmente, na era do tédio.

A ânsia pelo melhor caminho

Nascemos livres para nos fazermos humanos, para nos tornarmos o que desejarmos ser – ou o que julgamos ser bom ou correto para nós mesmos e para a humanidade. Queiramos ou não, nossas escolhas estão delimitadas pelas possibilidades de vida que podemos inventar ou de exemplos que podemos escolher seguir. E esse número é limitado: há caminhos que escolhemos trilhar, outros que preferimos evitar; e voltar quase nunca é uma opção. Mas em algum momento nos questionamos: “aquele foi um bom caminho?”

Nem o Google pode ajudar

O acesso à informação não nos garante boas escolhas. Sentimos a necessidade de saber de tudo antecipadamente, de estar no controle de nossos atos, de ser personagem ativo e criativo na existência. É difícil nos conformarmos com o fato de que fazemos opções incertas, que mesmo com nossas distinções (sejam elas títulos, diplomas, habilidades físicas, emocionais ou psíquicas) ainda estamos condenados à liberdade de termos que escolher uma coisa em detrimento de outra.

E ainda, o excesso de informação, pode se tornar entulho, que prejudica a ousadia, a capacidade de observação, a assimilação.

A SPA - Síndrome do Pensamento Acelerado gerada pelo uso de telefones celulares, pelo excesso de atividades, de informações, de trabalho e pela competição predatória, tem nos levado ao estresse constante, tanto na vida pessoal quanto profissional, comprometendo ainda mais nossas escolhas.

E aonde entra a ansiedade?

É nesse turbilhão de encontros e desencontros com as nossas escolhas, com a nossa vontade de controle, com as nossas expectativas (que criamos e que criaram para nós), com a auto exigência, que muitas vezes nos deparamos com a ansiedade devastadora sobre nossa saúde física, psíquica e emocional, nos colocando paradoxalmente, cada vez mais distantes de tudo que queremos alcançar em nossa vida. A ansiedade vem nesse sentido, na contramão de um anseio humano pelo autodesenvolvimento e pelo controle das nossas ações, emoções e pensamentos.

Muitos pensam que o mal do século é a depressão, mas aqui apresento outro mal, talvez mais grave, mas menos perceptível: a ansiedade decorrente da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA).

O Caminho

O caminho mais eficaz é transformarmos a ansiedade que nos paralisa, que nos adoece, em ansiedade produtiva, que nos leva a buscar a nós mesmos, entender melhor quem somos para assim, fazermos escolhas mais inteligentes em nossa vida. E principalmente, aceitarmos que, ao fazer nossas escolhas, deixamos para trás diversas possibilidades que não serão vivenciadas. Talvez esse seja o segredo para lidarmos bem com as nossas ansiedades: na medida em que aprendemos a nos contentar com as decisões e escolhas tomadas e nos responsabilizamos em ser a pessoa que nos tornamos a partir delas.

Além disso, é fundamental que aprenda a gerenciar seus pensamentos, fazer a higiene psíquica e capacitar seu “Eu” para ser autor da própria história.

Seja livre para pensar e sentir, mas não escravo dos pensamentos e emoções!